130 anos de Tolkien: Quando os Beatles quase estrelaram O Senhor dos Anéis!

130 anos de Tolkien: Quando os Beatles quase estrelaram O Senhor dos Anéis!

Em um dia como hoje, 130 anos atrás, nascia um dos maiores escritores de fantasia de toda a história da literatura, o professor J. R. R. Tolkien. Autor de obras influentes como O Hobbit (de 1937), O Senhor dos Anéis (publicado entre 1954 e 1955), e O Silmarillion (lançado postumamente, no ano de 1977), Tolkien, que faleceu em setembro de 1973, é a mente por trás de todo o fantástico universo da Terra Média.

J. R. R. Tolkien.

Nas telas, suas obras ficariam eternizadas com as adaptações realizadas pelo cineasta neozelandês Peter Jackson, que comandou duas trilogias da Terra Média. A primeira delas, a de O Senhor dos Anéis, composta por A Sociedade do Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003), e, a segunda, inspirada em O Hobbit, formada por Uma Jornada Inesperada (2012), Desolação de Smaug (2013) e A Batalha dos Cinco Exércitos (2014). Valendo ressaltar também que, esse ano, é esperada uma série original da Amazon prime baseada na obra do escritor. Porém, dessa vez, sem o envolvimento de Jackson na produção.

Apesar de ter sido um processo demorado até que as adaptações das obras de Tolkien acontecessem, muito por conta de limitações técnicas e orçamentárias, tendo em vista a escala desses elementos necessária para dar vida a esse universo, esse sempre foi um desejo dos mais variados estúdios e personalidades. De forma inusitada, no meio desse grupo, encontram-se os Beatles, a banda composta por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, que esteve em atividade de 1960 a 1970 e hoje são lembrados como o grupo mais bem-sucedido da história da música.

Esquerda para a direita: Ringo, Paul, George e John.

Em fevereiro de 1968, acompanhados pelo guru Maharishi Mahesh Yogi, os Beatles encontravam-se em um retiro espiritual na índia, com o intuito de buscar inspirações artísiticas em um época onde o grupo começava a enfrentar problemas internos (que, mais tarde, culminariam na sua dissoulução). Reza a lenda que, nessa ocasião, Denis O’Dell, que viria a ser o produtor da comédia Um Beatle no Paraíso (1969), estrelada por Peter Sellers e pelo próprio Ringo Starr, teria tido a ideia de realizar uma adaptação de O Senhor dos Anéis estrelada pelos quatro. Assim, ele acabaria por enviar três exemplares do material original de Tolkien para o Quarteto de Liverpool enquanto esse econtrava-se em solo indiano.

Os Beatles, que, desde o início de sua trajetória na música, sempre tiveram uma grande conexão com o cinema (na época, eles já haviam estrelado três produções: Os Reis do Iê, Iê, Iê, de 1964, Help!, de 1965, e Magical Mystery Tour, um bizarro filme para televisão lançado em 1967), teriam ficado empolgados com a ideia. Inclusive, já estava definido entre eles: John seria Gollum, Paul daria vida a Frodo, George interpretaria Gandalf e Ringo ficaria com o papel de Sam- escolhas essas que, de certa maneira, refletiam bastante a personalidade de cada um dos quatro.

Apesar dessa ideia jamais ter saído do papel, os Beatles chegaram até mesmo a definir um alvo para a direção do filme: Stanley Kubrick, um dos maiores diretores da história do cinema. Na época, ele ainda era um cineasta em ascensão, famoso pela realização do épico Spartacus (1960) e que tinha acabado de lançar uma de suas obras mais aclamadas, 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968). Além disso, seguindo o modelo dos filmes estrelados pela banda até então, o filme seria um musical, composto inteiramente por canções originais do quarteto para o projeto.

Peter Jackson, que, como dito, décadas depois, viria a trazer a terra média a vida, confirmou que essa ideia era, sim, verdadeira. O cineasta, que desde 2017 tem estado envolvido com os Beatles, por conta da produção do documentário Get Back, lançado em 2021 no Disney plus, afirmou em uma entrevista para BBC que “Tenho tentado reunir informações sobre o assunto. Questionei o Paul. O Ringo não se lembra de muita coisa a respeito”. Sobre o motivo por trás da adaptação nunca ter saído do papel, Jackson explicou que o próprio J. R. R. Tolkien negou os direitos de adaptação para a banda. “Eles não conseguiram os direitos de Tolkien porque ele não gostou da ideia de um grupo pop produzindo a história. De qualquer forma, eles estavam pensando seriamente em realizar o projeto”, afirmou o cineasta.

Peter Jackson nos bastidores de O Senhor dos Anéis.

Apesar desse projeto jamais ter visto a luz do dia, é curioso pensarmos que, apesar de improvável para muitos, que dão graças a Deus por isso nunca ter acontecido, o filme talvez nem fosse assim um fracaso tão grande. Pelo menos para uma tribo social que, na época, já era composta por uma parcela muito engajada para com a obra de Tolkien: os hippies e pacifistas como um todo que lutavam contra a Guerra do Vietnã, que enxergavam uma clara mensagem anti-guerra e anti-belicista nos livros do escritor. Eles admiravam, por exemplo, o estilo de vida pacífico e isolado dos Hobbits no universo proposto por Tolkien.

Durante os anos 60 e 70, o slogan “Frodo Lives” (em português Frodo vive) se tornou extremamente popular entre Hippies do mundo todo, aparecendo, inclusive, em pichações.

De qualquer forma, adotando um olhar mais abrangente, O Senhor dos Anéis dos Beatles provavelmente não seria algo admirado por fãs de Tolkien e pelo público cinéfilo como um todo. Seja por uma possível falta de fidelidade ao material original ou por motivos técnicos, há de se convir que a probabilidade de ser algo como Os Reis do Iê, Iê, Iê ou como a belíssima animação Yellow Submarine (1968), que envelheceram igual um bom vinho, era bem baixa. Assim, fiquemos com as palavras do próprio Paul McCartney. Segundo Peter Jackson, o ex- beatle afirmou que “Fico feliz em não ter feito. Porque você fez o seu e eu gostei do seu filme”. Bom gosto, Paul!

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