Adoráveis Mulheres: “Uma obra prima em relação ao discurso feminista”

Adoráveis Mulheres: “Uma obra prima em relação ao discurso feminista”

Sobre o filme

O filme “Little Women” (Adoráveis Mulheres), baseado no livro de Louisa May Alcott, conta a história das irmãs Marchs, quatro jovens com talentos distintos, determinadas a viver sob as suas próprias regras. Ele traz uma releitura crítica e social do romance, tratando principalmente do empoderamento feminino como chave de seu discurso.


Durante a trama, cada uma das irmãs March, por terem sonhos diferentes, acabam se afastando fisicamente umas das outras, mas Gerwig consegue deixar todas elas conectadas durante todo o tempo, independente de onde estejam. O roteiro segue a dinâmica de trânsito entre passado e futuro, fazendo com que o espectador se sinta vivenciando junto a elas, cada momento. Em certas partes do filme é possível sentir um distanciamento entre os tempos e uma confusão leve sobre os momentos e os sentimentos das personagens, mas isso se da a partir da escolha da não-linearidade do roteiro; contudo, a química entre os personagens é o que resgata o público rapidamente aos seus devidos lugares no espaço-tempo. Assim, é absolutamente orgânico vivenciar cada mudança e reviravolta que a história apresenta.


A narrativa apresenta as personagens em sua menoridade e em seguida em sua maioridade. A representação dessas mudanças são visíveis no jeito de andar e de falar das personagens, fato muito bem orientado, principalmente pela atriz Florence Pugh, que consegue representar seu lado criança muito bem e, conforme o andamento da história, justificar sua seriedade, a partir dos acontecimentos. Sua maneira de portar condiz perfeitamente com seu passado na narrativa. Já Jo March, apesar de adulta, carrega em si o ar sonhador dá mulher independente e objetiva. É possível ver a grande diferença entre as irmãs March, representada principalmente por suas vontades. Em uma cena do filme, Meg (Emma Watson), vira para Jo e diz: “Só porque meus sonhos são diferentes dos seus, isso não significa que não sejam importantes.”.

Enquanto durante toda a história temos a personagem Jo correndo de encontro a todos os costumes de casamento e querendo ter uma vida independente por si só, temos sua irmã Meg que tem como sonho de sua vida casar e ter filhos. O que chama muita atenção no roteiro e na narrativa é que essa diferença é aceitada como natural. Essa fala de Meg representa exatamente essa aceitação, fazendo o público refletir sobre. Mais um exemplo da doçura com que a direção e o roteiro tratam de um assunto que facilmente poderia cair em um lugar de raiva e revolta, mas se mantém no linear, apresentando o livre arbítrio de cada personagem como fio condutor.

Conclusão sobre o filme


O filme é uma obra prima em relação ao discurso feminista, mas não carrega um discurso áspero ou militante, pelo contrário, a narrativa aborda todas as questões com doçura e entendimento. O discurso principal acolhe os pequenos discursos dentro da narrativa, envolvendo os pensamentos e apontando o livre-arbítrio e o poder de escolha de cada personagem.


Não se pode dizer que o Romance de Gerwig é ingênuo ou piegas, pois ela consegue trazer inovações para o gênero. A decisão do roteiro de mostrar duas linhas temporais é o grande diferencial. A montagem com cortes rápidos ameniza o caráter didático da obra. O resultado é uma narrativa responsável, forte e doce, tudo ao mesmo tempo. Em uma química audiovisual, pode-se dizer que foram balanceados todos os elementos.

Critica feita por Lara Rodi

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