Amor, Sublime Amor: O espetáculo do clássico e a releitura de Spielberg que se aprofunda no drama!

Amor, Sublime Amor: O espetáculo do clássico e a releitura de Spielberg que se aprofunda no drama!

Existem determinados filmes que guardam aquele status de clássicos imortais do cinema, que se mantem por décadas e mais décadas como eternos favoritos dos amantes da sétima arte e, além de carregarem consigo diversas histórias de bastidores inusitadas e quantidades expressivas de prêmios, as personalidades por trás de suas respectivas realizações se tornam mestres para sempre lembrados por seus trabalhos. Amor, Sublime Amor, o clássico musical de 1961, que em 2021 completou 60 anos de seu lançamento original nos cinemas, é um dos casos que integra esse seleto grupo. O filme foi a maior bilheteria do seu ano de lançamento, venceu dez prêmios Oscar (incluindo o de Melhor Filme) na cerimônia realizada em 1962 e sua trilha sonora bateu recordes de vendas, se tornando a mais vendida de todos os tempos até aquele momento.

É interessante, também, quando alguns exemplares de gêneros que as vezes são reconhecidos por serem compostos de obras mais simplórias com relação aos temas que abordam, conseguem quebrar padrões. No caso específico de Amor, Sublime Amor, ainda em 1961, o musical de forte teor romântico (quase mais um padrão desse gênero) conseguiu estabelecer um relevante comentário social sobre questões relacionadas às condições dos imigrantes nos Estados Unidos. Comentário esse que, por sua vez, é feito de forma inteligente e até mesmo sútil, inserido nas músicas e resultando diretamente no foco central da trama: A tragédia Shakespeariana (O musical original da Broadway é inspirado diretamente em Romeu e Julieta), advinda das tensões do preconceito e rivalidade de duas gangues de Manhattan, os Jets, composta por americanos descendentes de poloneses, e os Sharks, cujo os integrantes tratam-se de imigrantes porto-riquenhos vivendo em território norte-americano. Na trama, Maria, uma bela jovem porto-riquenha, e Tony, um ex-membro dos Jets cujo seu próprio passado o condena, acabam desenvolvendo um amor proibido no meio desse contexto de rivalidade.

Sendo o filme original inspirado em um musical da Broadway, o mais notável é como o clássico se beneficia muito bem da linguagem tanto do teatro, quanto do cinema. Seja nos cenários, na direção de arte, no uso das cores ou nas danças e coreografias dos números musicais e lutas, há todo um ar de artificialidade que parece que esses respectivos elementos foram retirados diretamente dos palcos da broadway para película. Já a direção de Robert Wise, junto das careografias de Jerome Robbins (que trabalhou na peça da Broadway em si), consegue encontrar um equilíbrio entre essa “reprodução” do teatro e o uso dos elementos da linguagem do cinema de forma muito ágil, principalmente na montagem e na variedade de ângulos propriamente ditos com que que o cineasta escolhe filmar. Aliado a isso, temos também as memoráveis músicas compostas por Leonard Bernstein, elemento esse fundamental quando o assunto são musiciais.

Mas aonde queremos chegar com tudo isso? Simples: Amor, Sublime Amor, ganhou um remake (ou releitura). Quando pensamos em novas versões de clássicos adorados, muitos fãs e apreciadores da obra original já torcem o nariz. Afinal, os responsáveis por esta estarão mexendo com um material “sagrado” e, para uma parcela significativa daqueles que o admiram, irretocável. Com isso, as chances do público se deparar com uma decepção (ou até mais que isso, algo revoltante) é imensa. Porém, no caso do longa aqui em questão, este não ganhou um remake das mãos de um qualquer. A nova versão de Amor, Sublime Amor é capitaneada pelo mestre Steven Spielberg, o veterano diretor que, além de ter revelado ser um grande apreciador do material original de Robert Wise e Jerome Robbins, nunca escondeu o seu desejo de realizar um musical, até então, um gênero inédito em sua vasta e vitoriosa filmografia.

É interessante notar como que, em sua releitura, Steven Spielberg não busca alterar a tão consagrada história original ou simplesmente recontá-la de outra maneira que poderia ser considerada genérica e sem personalidade. Ao invés disso, o adorado cineasta busca atualizá-la e, assim, consequentemente, complementá-la, tornando-a mais atual e tangível, principalmente para uma parcela das audiências contemporâneas que enxerga o longa original como ultrpassado para os dias atuais.

Apesar dos icônicos números musicais como “Maria“, “Tonight” e “America” se manterem imbátiveis na versão original, o cineasta não abre mão da parte do espetáculo teatral, muito menos da direção com requinte visual em cada um dos seus planos. Essas características estão, sim, presentes, o que só mostra como o veterano é um verdadeiro mestre naquilo que faz, pois, o que presenciamos na sua versão é, junto desses elementos, uma espécie de maior aprofundamento da parte dramática e dos temas que a obra original já abordava, alcançando, assim, um equilíbrio entre o que fazia do longa original um grande filme e o que faria dessa história em algo ainda melhor para os dias de hoje.

Spielberg, por exemplo, adiciona de forma sútil mais detalhes sobre a vida e o passado dos personagens, aprofundando os seus relacionamentos interpessoais e as suas respectivas motivações particulares. Além disso, questões relacionadas a imigração, como a situação dos imigrantes nos Estados Unidos em si, são retratadas com mais “seriedade”, com o diretor trazendo uma maior verossimilhança para as caracterizações dos cenários, ambientes e figurinos, que ganham maiores detalhes de forma singela e são representados por meio de tons mais acinzentaods e pasteis, no lugar das vibrantes cores quentes do longa de 1961.

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Nesse sentido, até mesmo as atuações e escolhas do elenco são mais assertivas nessa nova versão. Uma das maiores, e, diga-se de passagem, provavelmente única, observação negativa ao filme original trata-se de algumas de suas escolhas de elenco, principalmente do casal protagonista, vivido Natalie Wood e Richard Beymer. O Tony de Beymer, que quase foi interpretado por Elvis Presley, é pouco expressivo, e Wood, apesar de bela como Maria, de nada remetia a uma porto-riquenha. Nesse ponto, as escolhas de Ansel Elgort e Rachel Zegler conseguem ser superiores a do par romântico da obra de 1961, justamente por acertarem no que foi comentado sobre as versões originais de Tony e Maria, valendo ressaltar também o fato dos personagens porto-riquenhos possuírem um número signifcativamente maior de diálogos em espanhol se comparados com o filme clássico.

Diferente de algumas novas versões horrendas de clássicos do cinema que de tempos em tempos somos obrigados a presenciar, o que ganhamos com a versão de Spielberg de Amor, Sublime Amor foi uma bem-vinda atualização de algo que já era ótimo, como se uma obra complementasse a outra. Em suma, sempre que Steven Spielberg busca realizar seus sonhos, quem acaba se beneficiando mais ainda somos nós. Afinal, tem sido assim desde o início da carreira do diretor. E que assim continue!

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