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    Crítica- Em Barbie Greta Gerwig opõe o artificial e o real para refletir sobre a nossa própria sociedade.

    Crítica- Em Barbie Greta Gerwig opõe o artificial e o real para refletir sobre a nossa própria sociedade.

    4 min.19/07/2023Guilherme Salomão

    Mente criativa por trás de Lady Bird: A Hora de Voar (2017) e Adoráveis Mulheres (2019), a cineasta Greta Gerwig, que despontou no cinema ainda como atriz em Frances Ha (2011), longa dirigido pelo seu próprio marido, Noah Baumbach, se tornou, nos últimos anos, uma das grandes forças femininas do cinema hollywoodiano contemporâneo. Nesse contexto, coube a diretora a tarefa de assumir o tão falado longa live-action da Barbie- um projeto planejado por alguns estúdios ao longo de décadas e que, em 2023, sustentado por uma poderosa campanha de marketing da Warner, finalmente dá as caras nas salas de cinema ao redor do mundo.

    Um dos grandes acertos de Barbie é como o filme, logo de início, captura os espectadores para dentro da chamada "Barbieland" (ou "Barbielândia"), a terra onde vivem todas as Barbies e os Kens. O destaque, quanto a isso, é todo para o vasto trabalho da direção de arte, dos figurinos e dos cabelos e maquiagens, que moldam de forma cautelosa o tom de artificialidade desse universo- atingindo o ápice de sua excelência em uma sequência musical de uma festa ao som da já aclamada Dance The Night, da cantora Dua Lipa.

    Nesse contexto, desde planos mais fechados em Margot Robbie na casa da Barbie, até planos gerais da Barbielândia em si, Greta Gerwig demonstra um bom domínio em valorizar essa artificialidade por meio de sua direção. As lentes da cineasta, aqui, enquadram os personagens de forma com que eles pareçam ser literalmente bonecas e bonecos confinados em autênticos cenários postiços e estáticos das bonecas Barbie, nos envolvendo ainda mais no longa a partir disso.

    As atuações de Margot Robbie e Ryan Gosling são outro acerto dentro dessa proposta, já que a expressividade e a performance corporal caricata da dupla estabelecem um diálogo preciso com esse tom artificial proposto. Entretanto, é importante ressaltar que ambos conseguem ir além do cômico, trazendo também profundidade para seus respectivos personagens- sobretudo Robbie, cujo o rosto, especialmente quando filmado em primeiro plano por Gerwig, transparece uma Barbie que, apesar de ser o modelo "perfeito" da boneca, se torna vulvnerável e humana na mesma medida.

    E por falar na vulnerabilidade e humanidade da personagem de Margot Robbie, é ao propor o contato de Barbie e Ken com o mundo real em que Gerwig mira seus esforços criativos em reflexões sobre a nossa própria sociedade. Dele em diante, há um bem-vindo contraste entre a primeira parcela de filme, onde o foco é todo para a supracitada construção do universo de fantasias da Barbie, e o mundo real, com o conflito entre a inocência de Barbie e Ken e as emoções e regras da nossa realidade nos guiando pelo restante da narrativa.

    As reflexões, dito isso, são inúmeras, com o filme pincelando debates sobre a problemática dos estereótipos e padrões estabelecidos pelo conceito da Barbie como boneca e ícone Pop, até questões contemporâneas de saúde mental, ansiedade e, principalmente, pautas feministas- já tradicionais na filmografia de Gerwig. E se o longa possui, então, um lado "sério" ou "profundo", ele, de toda forma, nunca perde o seu brilho lúdico, já que o texto da diretora (que assina o roteiro junto de seu marido) apresenta seus temas por meio de um humor autorreferente que brinca e aborda questões como o mansplanning e o fato de grandes cargos em empresas serem todos ocupados por homens de forma "fácil" e envolvente.

    Barbie, entretanto, ainda vai além das artificialidades da sua mise-en-scène e do humor para estabelecer seus temas. Contando com momentos pensados para que o filme dialogue diretamente com o seu público, como é o caso de um inspirador monólogo da personagem interpretada por America Ferrera e de uma montagem final concebida por Gerwig com o cuidado para emocionar mães, filhas, avós, etc., esse, que é um dos filmes mais aguardados dos últimos anos, também se sagra como uma história sobre amadurecimento, sobre o que é ser um ser-humano e, acima de tudo, sobre o que é ser uma mulher.

    Em suma, sem perder o tom da Barbielândia, o filme é mais do que divertido, é uma reflexão social criativa em linguagem e texto. Irresistível dentro de sua proposta.

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    https://www.youtube.com/watch?v=lwZTCYst6yw

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