Crítica: Godzilla vs Kong é monstruoso na ação, mas falho no lado humano!

Crítica: Godzilla vs Kong é monstruoso na ação, mas falho no lado humano!

Em uma realização da Toho Film Company, produtora japonesa que detém os direitos de Godzilla, King Kong e Godzilla já se encontraram previamente nas telas no ano de 1962. Duas das mais icônicas criaturas do cinema e da cultura pop, “sozinhos” já protagonizaram muitas produções de destaque desde a época em que fizeram suas primeiras aparições, em 1933 e 1954, respectivamente. Fazendo uma viagem pela trajetória desses personagens, é interessante notarmos como que, apesar de serem monstros aterrorizantes e os filmes os quais protagonizaram sempre terem sido recheados de efeitos visuais revolucionários para suas épocas e cenas de ação de tirar o fôlego, o lado humano sempre foi algo também cativante nas suas histórias. A história original de Kong, por exemplo, possui um forte cunho ambiental, já que um dos seus subtextos mais fortes é a relação do homem com a natureza e como esse a utiliza para os seus próprios objetivos pessoais. Já a de Godzilla, por sua vez, faz uma denúncia fortíssima ao uso de armas nucleares, que na trama são as responsáveis pelo despertar de “Gojira”, tendo em vista que o filme original foi lançado numa época em que o Japão ainda sofria os traumas das bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Desde 2014, quando a Legendary Pictures e a Warner Bros. decidiram alavancar o chamado Monsterverse (uma espécie de Universo Cinematográfico Marvel protagonizado por monstros das histórias de Kong e Godzilla) lá se foram quatro produções: Godzilla (2014), Kong: A Ilha da Caveira (2017), Godizlla: O Rei dos Monstros (2019) e, agora, Godzilla Vs Kong (2021). Na trama desse último, que depois de muitos adiamentos por conta da pandemia do coronavírus, finalmente chegou aos cinemas brasileiros, acompanhamos Kong e seus protetores, que incluem uma menina orfã e surda que possui um vínculo muito forte com ele, embarcando em uma jornada para a chamada terra oca, onde se encontram as origens de Kong. No meio do caminho, porém, eles logo se deparam com Godzilla, que vem sendo provocado devido a uma conspiração corporativa que pretende elaborar uma arma artificial capaz de destruí-lo.

Dirigido por Adam Wingard, diretor que dividiu opiniões com a adaptação Live Action de Death Note para a Netflix, de 2017, Godzilla vs Kong é um espetáculo literalmente monstruoso quando se trata de ação, efeitos especiais e visuais incríveis. Com a trama se dividindo basicamente em dois núcleos, que, de forma previsível, se encontram em determinado momento, o primeiro deles trata-se basicamente da jornada de Kong até a terra oca e seus encontros com Godzilla, que rendem sequências de ação vibrantes, de tirar o fôlego e completamente empolgantes, que são, basicamente, tudo que os fãs dos dois personagens poderiam esperar ver. Coração do filme, os embates entre os dois são o que faz valer a pena a maior parte do ingresso. Já Kong embarcando para descobrir suas origens, que já tornam toda essa sequência extremamente interessante por si só, também é um grande destaque. Os visuais elaborados para a chamada terra oca são de cair o queixo, com uma fotografia que investe forte numa mistura vibrante de cores.

Porém, o grande problema de Godzilla vs Kong está justamente no segundo núcleo que o compõe. Nele, um time de três indivíduos, formados por Bernie Hayes (Brian Tyree Henry), um funcionário da Apex Cybernetics e apresentador de um podcast sobre teorias da conspiração envolvendo a empresa e os monstros, Madison Russell (Millie Bobby Brown), uma fã de Bernie, e seu amigo Josh (Julian Dennison), se unem para investigar os últimos ataques de Godzilla, que eles acreditam ser consequência das ações da corporação, que está em busca de criar um rival artificial para o monstro. O trio são, basicamente, dois alivios cômicos, Bernie e Josh, e a Madison de Bobby Brown que tenta ser a líder “séria” dos três. A falta de carisma na maior parte do tempo desse elenco é o que pesa para essas sequências, compostas a todo momento por piadas atrás de piadas, que somente em alguns momentos arrancam uma risada ou outra de seu espectador, que, consequentemente, se vê sem motivos de importar-se verdadeiramente com esses personagens e suas motivações dentro da história.

De qualquer forma, quando os dois caminhos se unem, Godzilla vs Kong foca somente no espetáculo, já que agora, ao invés de alternar entre uma trama que pouco importa e outra que, apesar de também possuir um fator humano bem fraco, exceto pela menina Jia (Kaylee Hottle), que, como dito anteriormente, é surda e se comunica com Kong pela linguagem de sinais, o que gera momentos de certa forma adoráveis entre os dois, o filme pode dedicar todas as suas forças naquilo que sabe fazer de melhor, que é a ação e embates dos chamados titãs. Apesar de, a essa altura do campeonato, tudo ser bastante previsível, há uma decisão do roteiro que, até certo ponto, foi corajosa e honrou as campanhas de marketing que prometiam que “Um deles cairá”. Junto disso (ou apesar disso), a conclusão para a trama é bastante satisfatória.

Dito isso, Godzilla vs Kong é um filme de altos e baixos. Empolgante e espetacular na ação, porém, diferente das origens desses personagens, que também sabiam trabalhar com maestria o lado humano, falho e devagar ao tratar de seus personagens e suas motivações, o que não é um problema somente do longa aqui em questão, mas sim da maioria dos filmes que são parte desse chamado Monsterverse, que nos entrega mais um prato cheio para quem busca pelo entretenimento grandioso puro e, até certo ponto, vazio, que pelo menos, mais uma vez, não deixa a desejar nesse quesito, que está a altura dos nomes retratados aqui.

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