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Crítica - Retratos Fantasmas é viagem pela obra de Kleber Mendonça Filho e pela natureza do cinema enquanto espaço de memórias.

Crítica - Retratos Fantasmas é viagem pela obra de Kleber Mendonça Filho e pela natureza do cinema enquanto espaço de memórias.

3 min.28/08/2023Guilherme Salomão

Embarcando a fundo em um "universo fílmico" particular de Kleber Mendonça Filho, Retratos Fantasmas, documentário exibido no Festival de Cannes em 2023, é a sua obra mais pessoal até hoje- e se o cinema do brasileiro sempre nutriu desse seu lado particular específico, Retratos Fantasmas é, enquanto documentário, um filme que aprofunda e esclarece para os espectadores essa pessoalidade, destrinchando as inspirações, vivências e a paixão por cinema e pela cidade do Recife de seu diretor.

Nos aproximando de seus relatos, Retratos é inteiramente narrado pelo próprio Kleber Mendonça Filho. Dividido em três partes, a primeira parcela de filme é dedicada à sua juventude, onde compreendemos que os seus filmes são relatos de sua próprias experiências, de ambientes em que cresceu, de pessoas que conheceu e de sua própria familia. Intercalando registros caseiros e cenas de seus dois primeiros longas, O Som ao Redor (2012) e Aquarius (2016) se tornam ainda mais em histórias sobre si mesmo, sobre o apartamento em que o diretor viveu, sobre as mudanças que seu olhar observador testemunhou em seu cotidiano e sobre sua própria mãe e valores aprendidos com ela.

Adiante, a jornada se torna ainda mais emotiva. Embarcando a fundo no Recife, Kleber Mendonça explora todo o seu amor pela cidade. Aqui, o trabalho de montagem de Matheus Farias é primoroso. Alternando entre imagens de arquivo da capital de Pernambuco e registros próprios do diretor, somos convidados a viajar por aquela cidade (sobretudo a área do centro) e por suas particularidades. A ideia, com relação a isso, é ilustrar o quanto ela mudou ao longo do tempo, utilizando dos cinemas de rua para tal.

Dito isso, a efemeridade dos espaços urbanos ganha vida em meio à tristeza de salas de exibição históricas no Recife que foram sendo fechadas com o passar dos anos. Nesse contexto, o documentário pode até ser visto pela ótica da celebração àqueles lugares descritos como fundamentais na vida do diretor. Entretanto, o comentário vai além do simples termo "Carta de Amor"- tão utilizado em obras do calibre de Retratos Fantasmas.

No filme, o cinema enquanto espaço vai muito além de locais dedicados à exibição de filmes puramente, com Kleber os ilustrando, na verdade, como espaços que contam histórias por si só. Os cinemas de rua são prédios que guardam memórias, que empregaram e foram frequentadoss por pessoas apaixonadas, e que se conectaram até mesmo com questões políticas do tempo em que foram construídos.

Assim, em Retratos Fantasmas o cinema enquanto espaço físico se mistura com o cinema enquanto arte. Afinal, assim como as áreas urbanas se transformam, o mesmo acontece com a arte. Se a sétima arte, então, está destinada a sempre se transformar, o mesmo acontece com o cinema enquanto local. Salas abrem e fecham e cinemas chegam até mesmo a serem demolidos para se tornarem em outros recintos comerciais ou de convívio social.

E por mais triste que possa parecer essa ótica, é consolador imaginar que ao menos na memória de pessoas como Kleber Mendonça Filho, o cinema (como um todo) está destinado à eternidade. Aqueles locais que guardam histórias como a do projecionista Alexandre, que em um dos momentos mais emocionantes do longa afirma que fechará um dos Cinemas de rua do Recife com "Chave de Lágrimas" em seu último dia de funcionamento, jamais deixarão de estar ali.

Afinal, para aqueles que ali compartilharam de memórias, eles são como fantasmas. E seus retratos garantem suas existências infinitas.

https://www.youtube.com/watch?v=MnaXiguPZVQ

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