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    Crítica - ‘Zona de Interesse’ tem sua força na sugestão do sombrio por trás do que aparenta ser pacífico.

    Crítica - ‘Zona de Interesse’ tem sua força na sugestão do sombrio por trás do que aparenta ser pacífico.

    3 min.09/02/2024Guilherme Salomão

    O poder da sugestão é o maior diferencial de Zona de Interesse enquanto filme. Dirigido pelo cineasta inglês Jonathan Glazer (Sob a pele, 2013) o longa, que concorre em cinco categorias do Oscar 2024 (incluindo Melhor Filme Melhor Filme Internacional), conta a história do casal nazista formado por Rudolf Höss (Christian Friedel) e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller), que vivem com seus filhos numa casa separada apenas por um muro do campo de concentração de Auschwitz- que vem a ser comandado por Rudolf.

    Para filmar a rotina desses personagens, a direção de Glazer desperta atenção por apostar em planos fixos na maior parte do tempo, com sua câmera se deslocando por meio de travellings laterais apenas em ocasiões muito específicas. Assim, desde as primeiras imagens que vemos projetadas na tela, a câmera estática do britânico, aliada a fotografia de tons frios de Łukasz Żal, faz da vida dessa família ser de clima extremamente pacífico e até mesmo idílico.

    Entretanto, a todo instante sentimos que há algo de muito macabro por trás dessa rotina de tranquilidade. E isso se dá acima de tudo pelo primoroso trabalho do som em Zona de Interesse. Enquanto Hedwig cuida de seu jardim e de sua horta, Hudolf de suas obrigações cotidianas e as crianças brincam, sons pertubadores, de gritos desesperados, tiros e afins, vindos do outro lado do muro tomam conta dos ambientes. Em paralelo, a trilha sonora do filme é discreta. Ausente na maior do tempo, ela aparece em situações particulares, com acordes graves que vem para fortalecer essa presença do sombrio.

    Aqui, apesar de qualquer espectador com o mínimo de conhecimento histórico compreender os trágicos significados por trás desses ruídos, Glazer nunca deixa de fazer com que Zona de Interesse seja um longa tenso e angustiante diante dessa sugestão. Ao alinhar cuidadosamente os componentes de sua mise-en-scène, o britânico alcança momentos carregados de uma simbologia muito forte- como é o caso de uma sequência de closes em diferentes e belas rosas do jardim da casa revestidos pelos ruídos inquietantes ao fundo.

    Dito isso, desinibidos de qualquer culpa, esses personagens são dependentes e aprisionados a essa vida. Em determinado ponto, surge a necessidade de uma transferência. Enraizada no conforto que despreza os crimes “do lado de lá”, Hedwig se mostra contrária, enquanto Rudolf, enxergando a necessidade de manter seu status para com o regime, se demonstra mais suscetível a ideia.

    Daqui em diante, com Rudolf reunido com outros oficiais nazistas, Glazer mantém a mesma estrututa pacífica da encenação. O choque, com isso, é pela forma banal com que as autoridades do regime conversam sobre o extermínio de milhares de vidas. E apesar de Rudolf ensaiar certo peso na consciência nos momentos finais da projeção, há uma poderosa sequência em que, após vermos o personagem passando por uma indisposição de saúde, imagens contemporâneas do museu que se tornou Auschwitz tomam conta da tela em silêncio.

    Depois daqui, Rudolf, que retonará a sua rotina incial, desce uma escada engolido por sombras. O que acontece a partir disso é a consolidação daquilo que o filme nunca retrata de forma explícita. Mas a mensagem dessa montagem final é clara: a história está lá para ser contada e, consequentemente, descoberta. E ela jamais será apagada.

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